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Londrina, Paraná
Graduada em Famácia e Bioquímica pela Universidade Estadual de Londrina (1982), cursou mestrado em Ciências de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina (1992) e doutorado em Ciências de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina (2003). Faz parte do banco de avaliadores institucionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP/SINAES). Professora de cursos de graduação e pós-graduação na área de Nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e da Faculdade Arthur Thomas. Atua na área de desenvolvimento de produtos alimentícios, com ênfase em alimentos funcionais, especialmente a soja. No momento está direcionando as pesquisas à área de nutrição em envelhecimento.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Comida Maquiada

É de suma importância que o consumidor saiba ler as informações que há em um rótulo de alimentos, mas como identificar o que é correto e o que não é? O consumidor deve conhecer todos os termos utilizados na área. E ainda saber diferenciar o que as emmpresas utilizam como marketing e que nem sempre é saudável. Este é o assunto divulgado na reportagem publicada pela Revista Época em 14/05/2010 e que vem ao encontro do que tenho divulgado entre meus alunos. Leia a reportagem na íntegra.

Um comentário:

  1. O modelo atual ainda permite alguns enganos porque as informações mais importantes são as que vêm apresentadas na forma de números e percentuais, uma linguagem ainda muito rebuscada para a maioria. As informações apresentadas numa linguagem mais simples são frequentemente as que não revelam toda a verdade. Numa passeada rápida num supermercado, encontrei quatro exemplos de embalagens que podem ser mal interpretadas pelo consumidor.

    1. Feijoada pronta “sem conservantes”. A ausência de conservantes pode ser entendida como característica de um produto saudável, mas a verdade, verificável na tabela nutricional no verso da embalagem, é que 400 gramas do produto contêm 1433 miligramas de sódio, ou 60% da quantidade recomendada para um dia inteiro. É muito sódio para uma refeição só. O consumo excessivo de sódio, que vem do sal, é um fator de risco importante para a hipertensão.

    2. Cereal matinal “rico em cálcio e ferro”. A adição de minerais pode ser um atrativo, mas não se pode deixar de verificar o teor de açúcares, que aliás aparece destacado na parte da frente da embalagem: 11 gramas para cada 30 gramas de cereal. Daria pra ser menos, né? Um outro cereal na mesma prateleira continha 4,6 gramas de açúcar em 30 gramas de produto. Melhor, não?

    3. Nuggets de frango congelados, “fonte de vitamina E, fonte de ferro, fonte de proteínas”. O fato de o congelado ter proteínas e minerais não significa que não tenha gordura trans. A tabela nutricional revela: 1,2 gramas para cada 130 g de produto.

    4. Barra de cereais/ “nutrição para a mulher”/ beleza/ com colágeno . A combinação dessas palavras, numa embalagem cor de rosa, pode levar a consumidora a acreditar que o colágeno do produto vai esticar sua pele a ponto de ela ficar mais bonita. Mas não vai. Ela não estará comprando um tratamento de beleza, mas apenas um quitute com flocos de arroz, chocolate e castanhas com 87 calorias e 3,4 gramas de gorduras totais em 22 gramas de produto. Segundo o fabricante, como não há alegação de propriedade funcional na embalagem, não foi necessário comprovar cientificamente que o colágeno adicionado à barrinha tem algum efeito sobre a elasticidade da pele. Tampouco é proibido colocar ali, estrategicamente, a palavra “beleza”.

    Enquanto o mundo discute qual seria a melhor maneira de rotular os alimentos ou de incentivar ou forçar as empresas a colaborar na busca dos consumidores por opções mais saudáveis, só nos resta dobrar a atenção. Vale parar para pensar, na hora da compra, que o que está em letras grandes é o que dá vontade de comprar (portanto o que rende boas vendas para o fabricante) e o que está em letras pequenas talvez seja o que poderia atrapalhar as vendas. Ou seja, o motivo para não comprar.

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