Esta reportagem é de abril de 2010, porém é atual e é necessário pensarmos sobre ela.
"A ciência médica acrescentou à lista de produtos capazes de provocar dependência algo assustadoramente próximo de nós: a comida gordurosa. Um estudo com ratos publicado na revista Nature Neuroscience sugere que o consumo de alimentos ricos em gordura leva ao desenvolvimento de um tipo de dependência parecida com a que afeta os viciados em cocaína ou heroína. O cérebro dos ratos superalimentados, assim como nos dependentes químicos, apresenta uma queda acentuada nos níveis de substâncias responsáveis pelas sensações de prazer, conhecidas como receptores de dopamina. Com menos receptores, o organismo precisa de quantidades de gordura cada vez maiores para que o cérebro registre satisfação. É o mesmo mecanismo cerebral do vício humano em drogas. A pesquisa, feita apenas em ratos, confirmou em laboratório pela primeira vez aquilo de que muitos especialistas já suspeitavam: certos tipos de comida viciam.
“Espero que este estudo mude a maneira como muitos pensam sobre comida”, diz Paul Johnson, coautor do estudo realizado no Scripp Research Institute, da Flórida. “Ele demonstra como a oferta de comida pode produzir superalimentação e obesidade.”
Ao vincular dependência química à alimentação, a pesquisa divulgada na semana passada lança uma série de novas questões – e reanima velhos fantasmas – no debate sobre comida. Levada às últimas consequências, ela pode até mesmo sugerir que os consumidores são manipulados pela indústria do fast-food do mesmo modo como jovens são aliciados por traficantes na porta das escolas. Trata-se do tipo de estudo que traz alento àqueles que acreditam que somos reféns de uma indústria alimentar inescrupulosa, incapaz de manifestar uma preocupação genuína com a saúde – e afirmam que o cidadão precisa de regras quase policiais para controlar a comida, assim como precisa da polícia antidrogas."
- Rejane
- Londrina, Paraná
- Graduada em Famácia e Bioquímica pela Universidade Estadual de Londrina (1982), cursou mestrado em Ciências de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina (1992) e doutorado em Ciências de Alimentos pela Universidade Estadual de Londrina (2003). Faz parte do banco de avaliadores institucionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP/SINAES). Professora de cursos de graduação e pós-graduação na área de Nutrição da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e da Faculdade Arthur Thomas. Atua na área de desenvolvimento de produtos alimentícios, com ênfase em alimentos funcionais, especialmente a soja. No momento está direcionando as pesquisas à área de nutrição em envelhecimento.
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